Rockwell Automation e Luminus: Como a Plataforma SecureOT Está Reforçando a Cibersegurança Industrial no Setor de Energia

A produtora de energia belga Luminus escolheu a SecureOT Platform da Rockwell Automation para proteger seus ambientes OT. Veja o que esse caso…

Sala de controle industrial moderna com painéis de monitoramento de ativos OT e visualizações de rede em tempo real, representando cibersegurança em infraestrutura crítica de energia

Cibersegurança em Tecnologia Operacional: Um Desafio Crescente para o Setor Energético

À medida que usinas, redes elétricas e instalações industriais se tornam cada vez mais conectadas digitalmente, a superfície de ataque disponível para agentes maliciosos cresce na mesma proporção. O setor de energia, em particular, lida com um dilema complexo: precisa modernizar suas operações para ganhar eficiência, mas cada nova conexão representa um vetor potencial de ameaça para infraestruturas críticas. É nesse contexto que a Rockwell Automation anunciou, em julho de 2026, que a Luminus — uma das principais produtoras e fornecedoras de eletricidade da Bélgica — escolheu a plataforma SecureOT™ para fortalecer sua postura de segurança cibernética em ambientes de tecnologia operacional (OT).

A notícia vai muito além de um simples contrato comercial. Ela ilustra uma tendência que vem ganhando força em todo o mundo: empresas do setor de energia percebendo que proteger seus sistemas industriais exige ferramentas específicas para OT, e não apenas soluções de TI corporativa adaptadas às pressas.

O Que é a Plataforma SecureOT da Rockwell Automation?

A SecureOT Platform faz parte do portfólio de soluções de cibersegurança industrial da Rockwell Automation. Diferente de ferramentas genéricas de segurança da informação, ela foi projetada desde o início para os ambientes únicos de tecnologia operacional — onde convivem equipamentos de diferentes fabricantes, protocolos industriais legados e sistemas que simplesmente não podem ser desligados para manutenção de segurança sem impacto direto na produção.

Entre as principais capacidades da plataforma estão:

  • Visibilidade abrangente de ativos OT: identificação automática de todos os dispositivos conectados ao ambiente industrial, independentemente do fabricante ou protocolo utilizado.
  • Priorização de riscos: em vez de gerar uma lista interminável de vulnerabilidades, a plataforma ajuda as equipes a entender quais exposições representam risco real para a operação e devem ser tratadas primeiro.
  • Gestão integrada de vulnerabilidades: acompanhamento do ciclo de vida das vulnerabilidades identificadas, desde a descoberta até a remediação.
  • Abordagem vendor-neutral: funciona em ambientes com equipamentos de múltiplos fornecedores, algo essencial para organizações como a Luminus, que opera uma carteira diversificada de ativos de geração.

A solução também foi desenvolvida com alinhamento a padrões e frameworks regulatórios relevantes, incluindo a norma IEC 62443 — referência internacional para segurança em sistemas de automação e controle industrial — e a Diretiva NIS2, que ampliou significativamente os requisitos de cibersegurança para operadores de infraestruturas essenciais na União Europeia.

Quem é a Luminus e Por Que Esse Caso é Relevante?

A Luminus é uma empresa belga com um portfólio bastante diversificado de geração de energia, que inclui usinas termelétricas, hidrelétricas, parques eólicos e instalações de armazenamento por baterias. Essa diversidade é, ao mesmo tempo, um trunfo operacional e um desafio de segurança: cada tipo de instalação tem seus próprios sistemas de controle, seus próprios protocolos e suas próprias vulnerabilidades potenciais.

Gerenciar a cibersegurança de OT em um ambiente assim exige muito mais do que instalar um firewall. É preciso ter visibilidade real de cada ativo, entender como eles se comunicam entre si e com sistemas externos, e ser capaz de identificar comportamentos anômalos antes que se tornem incidentes.

Segundo Maarten Baert, gerente de O&M para Cibersegurança, Infraestrutura e Redes da Luminus, a empresa está comprometida com o fortalecimento contínuo da segurança e resiliência de seus ambientes OT. Ele destacou que os crescentes requisitos regulatórios — com destaque para a NIS2 — combinados com um cenário de ameaças cada vez mais sofisticado, tornam indispensável uma abordagem estruturada para compreender e gerenciar o risco cibernético.

NIS2: A Regulação que Está Mudando o Jogo na Europa

Não é possível entender completamente a decisão da Luminus sem contextualizar o impacto da Diretiva NIS2. Aprovada pelo Parlamento Europeu em 2022 e com prazo de transposição para legislação nacional até outubro de 2024, a NIS2 expandiu consideravelmente o escopo da sua predecessora, a NIS1, abrangendo mais setores e impondo obrigações mais rigorosas de gestão de riscos cibernéticos, notificação de incidentes e responsabilização de lideranças executivas.

Para operadores de infraestruturas críticas como produtores de energia, a NIS2 não é apenas uma recomendação — é uma exigência legal com potencial de multas significativas em caso de descumprimento. Isso criou um senso de urgência real no mercado europeu para que empresas do setor adotem ferramentas e processos formais de gestão de segurança em OT.

Nesse contexto, a escolha de uma plataforma já alinhada à NIS2 e à IEC 62443 representa não apenas uma decisão técnica, mas também uma estratégia de conformidade regulatória.

O Modelo de Implementação: Parceria e Desenvolvimento de Capacidade Interna

Um aspecto particularmente interessante desse caso é o modelo de implantação adotado. Em vez de uma abordagem puramente terceirizada — onde a Rockwell Automation gerenciaria tudo remotamente —, o projeto foi estruturado de forma colaborativa, combinando o conhecimento técnico da Rockwell com o desenvolvimento de capacidade interna na equipe da Luminus.

Após a implantação inicial bem-sucedida em todos os sites da empresa, a Luminus passou a expandir o uso da plataforma de forma independente, integrando progressivamente novos ativos de tecnologia operacional ao sistema. Isso é relevante por algumas razões:

  • Demonstra que a plataforma foi projetada para ser operada por equipes internas, não apenas por especialistas externos.
  • Indica uma transferência real de conhecimento, o que aumenta a maturidade de cibersegurança da organização a longo prazo.
  • Cria um modelo escalável: à medida que a Luminus adiciona novos ativos ou adquire novas instalações, a equipe já tem o processo e as ferramentas para integrá-los ao programa de segurança.

Rick Kaun, Diretor Global de Serviços de Cibersegurança da Rockwell Automation, descreveu essa colaboração como um modelo prático para construir capacidade interna enquanto se mantém uma abordagem consistente de gestão de riscos em múltiplos sites.

Implicações para Profissionais de Tecnologia e Segurança Industrial

Para engenheiros de automação, profissionais de segurança da informação que atuam em ambientes industriais e gestores de TI/OT, esse caso traz algumas reflexões importantes:

A Convergência TI/OT Exige Ferramentas Específicas

Ferramentas de segurança desenvolvidas para ambientes de TI corporativa muitas vezes falham em ambientes OT porque não entendem os protocolos industriais, podem interferir com sistemas de tempo real e frequentemente geram falsos positivos que sobrecarregam equipes operacionais. Soluções como a SecureOT Platform nascem com essa especificidade como premissa de design.

Visibilidade é o Ponto de Partida

Você não pode proteger o que não conhece. Em muitas organizações industriais, existe um inventário incompleto ou desatualizado dos ativos OT — especialmente em ambientes com décadas de operação e múltiplas camadas de equipamentos de diferentes gerações. A capacidade de descoberta automática de ativos é, portanto, frequentemente o primeiro passo concreto de qualquer programa de cibersegurança industrial.

Conformidade Regulatória como Catalisador

A pressão regulatória — seja a NIS2 na Europa, seja frameworks equivalentes em outras regiões — está funcionando como um acelerador de investimentos em segurança OT. Isso é, em grande medida, positivo: cria urgência onde antes havia procrastinação e exige que a liderança executiva se envolva com o tema.

O Contexto Mais Amplo: Rockwell Automation e o Mercado de Cibersegurança Industrial

A Rockwell Automation, sediada em Milwaukee (EUA) e listada na NYSE sob o ticker ROK, é reconhecida como a maior empresa do mundo dedicada exclusivamente à automação industrial e transformação digital. Com cerca de 26 mil funcionários atuando em mais de 100 países, a empresa tem expandido seu portfólio de cibersegurança industrial de forma consistente nos últimos anos, reconhecendo que seus clientes precisam de soluções integradas que unam automação e proteção cibernética.

O mercado global de cibersegurança para OT e sistemas de controle industrial (ICS) vem crescendo aceleradamente, impulsionado tanto pelo aumento de ataques direcionados a infraestruturas críticas quanto pela pressão regulatória em diversas jurisdições. Casos como o da Luminus ajudam a demonstrar que existe demanda real e que os modelos de implantação estão evoluindo para além das consultorias pontuais, em direção a plataformas gerenciáveis pelas próprias equipes das organizações.

Para quem trabalha com desenvolvimento de software embarcado, integração de sistemas industriais ou arquitetura de redes OT, acompanhar essa evolução é essencial. A cibersegurança industrial deixou de ser um nicho para se tornar uma competência cada vez mais valorizada no mercado de trabalho de tecnologia.