Coro e PwC Italy se unem para automatizar cibersegurança e conformidade com a NIS2 em empresas de todos os portes

Coro e PwC Italy unem forças para automatizar segurança digital e conformidade com a NIS2. Entenda o que essa parceria significa para o mercado de TI.

Painel holográfico de monitoramento de cibersegurança e conformidade regulatória em ambiente corporativo moderno

A parceria que pode mudar o jogo da cibersegurança corporativa na Itália — e além

A conformidade regulatória em cibersegurança nunca foi um desafio tão urgente para empresas europeias. Com a entrada em vigor da diretiva NIS2 (Network and Information Security 2), organizações de todos os tamanhos precisam demonstrar controles robustos de segurança digital ou enfrentar multas severas e responsabilização de executivos. É nesse contexto que a Coro, plataforma de cibersegurança focada em médias e pequenas empresas, e a PwC Italy, braço italiano da gigante global de consultoria PricewaterhouseCoopers, anunciaram uma parceria estratégica para ajudar organizações italianas a automatizar tanto a segurança quanto o processo de adequação à NIS2.

A iniciativa chama atenção não apenas pelo peso dos nomes envolvidos, mas pelo modelo proposto: unir tecnologia de automação de segurança com consultoria especializada em compliance, entregando uma solução integrada que vai desde a detecção de ameaças até a geração de relatórios regulatórios. Para programadores, arquitetos de sistemas e gestores de TI, entender o que está por trás dessa aliança é fundamental para antecipar tendências que certamente chegarão ao mercado brasileiro em breve.

O que é a NIS2 e por que ela importa para além da Europa

A NIS2 é a versão atualizada e expandida da diretiva europeia de segurança de redes e informação, que passou a vigorar com força total a partir de outubro de 2024. Ela amplia significativamente o escopo da NIS original, incluindo setores como saúde, infraestrutura digital, manufatura crítica, serviços postais e gestão de resíduos, entre outros. Mais importante: ela desce ao nível das médias empresas, obrigando organizações com mais de 50 funcionários ou faturamento acima de 10 milhões de euros a cumprirem requisitos rigorosos de gestão de riscos cibernéticos.

As penalidades são expressivas: multas de até 10 milhões de euros ou 2% do faturamento global anual para entidades essenciais, e até 7 milhões de euros ou 1,4% do faturamento para entidades importantes. Além disso, a diretiva responsabiliza diretamente os órgãos de gestão — ou seja, CEOs e conselhos de administração podem ser pessoalmente penalizados por falhas de conformidade.

Embora seja uma regulação europeia, a NIS2 serve como referência global para legislações similares que estão surgindo em outros países, incluindo discussões no Brasil em torno da Política Nacional de Cibersegurança e do Decreto nº 11.856/2023. Entender como empresas europeias estão se adaptando é, portanto, um exercício valioso de antecipação.

Coro: a plataforma de cibersegurança que aposta na simplicidade operacional

A Coro se posiciona no mercado como uma alternativa às soluções de segurança corporativa tradicionais, que frequentemente exigem equipes especializadas de SOC (Security Operations Center) e investimentos elevados em licenciamento e integração. A proposta da empresa é consolidar múltiplas camadas de proteção — endpoint security, segurança de e-mail, proteção de dados em nuvem, controle de acesso e monitoramento de rede — em uma única plataforma gerenciada por painel unificado.

O diferencial técnico está na automação de resposta a incidentes. Em vez de depender de analistas humanos para triagem e remediação de cada alerta, a plataforma da Coro utiliza regras automatizadas e inteligência artificial para resolver ameaças de baixa e média complexidade sem intervenção manual. Isso reduz drasticamente o tempo de resposta e o custo operacional, tornando segurança de nível enterprise acessível para empresas que não têm budget para manter um time dedicado de segurança.

Como funciona a automação de compliance na prática

Um dos aspectos mais interessantes da parceria com a PwC Italy é a camada de automação de conformidade regulatória. Muitas empresas tratam compliance como um processo manual e periódico: consultores fazem auditorias, identificam gaps, recomendam controles, e a empresa tenta implementar antes da próxima auditoria. Esse ciclo é lento, caro e propenso a lacunas.

A abordagem proposta pela Coro e PwC Italy é diferente: a plataforma coleta continuamente evidências de controles de segurança implementados — logs de acesso, registros de patches aplicados, alertas tratados, políticas de senha aplicadas — e os mapeia automaticamente para os requisitos específicos da NIS2. O resultado é um painel de conformidade em tempo real, que mostra quais requisitos estão sendo atendidos, quais têm gaps e quais precisam de atenção imediata.

Para as equipes de TI, isso representa uma mudança de paradigma: em vez de preparar relatórios de compliance manualmente para auditorias pontuais, o sistema gera evidências continuamente, reduzindo o esforço de preparação e aumentando a confiabilidade das informações apresentadas a reguladores.

O papel da PwC Italy: consultoria como camada de valor sobre a tecnologia

A entrada da PwC Italy na parceria não é apenas comercial. A consultoria traz conhecimento profundo sobre interpretação regulatória, gestão de riscos e governança corporativa — áreas em que plataformas de tecnologia pura tendem a ser genéricas demais. A combinação permite que clientes recebam tanto a ferramenta técnica quanto o suporte consultivo para entender o que os requisitos da NIS2 significam para o seu setor específico e como priorizar investimentos em segurança.

Esse modelo de parceria entre fornecedores de tecnologia de segurança e grandes consultorias é uma tendência crescente no mercado global de cibersegurança. Empresas como CrowdStrike, Palo Alto Networks e SentinelOne já têm ecossistemas robustos de parceiros de serviços. A Coro, ao fechar com uma das quatro maiores consultorias do mundo, sinaliza ambição de crescimento no mercado europeu e validação de sua plataforma para contextos regulatórios complexos.

Implicações para o mercado de tecnologia e para profissionais de TI

Para desenvolvedores e arquitetos de sistemas que trabalham com aplicações corporativas, a tendência de automação de compliance levanta questões importantes sobre como os sistemas que construímos precisam ser projetados. Algumas reflexões práticas:

  • Auditabilidade por design: sistemas que geram logs estruturados e rastreáveis desde o início são muito mais fáceis de integrar com plataformas de compliance automatizado. Pensar em auditabilidade como requisito não-funcional desde a fase de arquitetura é cada vez mais essencial.
  • APIs de segurança e integração: plataformas como a Coro dependem de integrações com dezenas de ferramentas (Microsoft 365, Google Workspace, provedores de nuvem, firewalls). Desenvolver e manter essas integrações é uma área de crescimento para engenheiros de software especializados em segurança.
  • Compliance como código: a ideia de mapear controles de segurança para requisitos regulatórios de forma automatizada é uma extensão natural do conceito de Infrastructure as Code. Ferramentas como Open Policy Agent (OPA) e frameworks de compliance como OSCAL já caminham nessa direção.
  • Oportunidades para MSPs e consultorias locais: o modelo de parceria Coro-PwC pode ser replicado em outros mercados. Para empresas brasileiras de consultoria em TI e segurança, estar atento a como esse modelo funciona na Europa pode abrir oportunidades de negócio à medida que regulações similares ganham força no Brasil.

O cenário de cibersegurança para PMEs: um problema crescente sem solução simples

Um ponto que merece destaque é o foco explícito da Coro em empresas de médio porte. Historicamente, as soluções de segurança corporativa de alto nível eram economicamente viáveis apenas para grandes empresas. PMEs ficavam reféns de soluções fragmentadas — um antivírus aqui, um firewall básico ali — sem visibilidade integrada nem capacidade de resposta coordenada.

Isso é particularmente problemático porque PMEs são alvos frequentes de ransomware e ataques de phishing justamente por terem defesas mais fracas. Com a NIS2 forçando essas empresas a elevarem seu nível de segurança, o mercado de plataformas acessíveis e automatizadas para esse segmento deve crescer significativamente nos próximos anos.

A parceria Coro-PwC Italy é, portanto, um indicador de para onde o mercado de cibersegurança está caminhando: automação, consolidação de ferramentas, compliance contínuo e democratização do acesso a segurança de qualidade. Para quem trabalha com tecnologia, acompanhar esses movimentos não é apenas curiosidade — é parte essencial de se manter relevante em um setor em transformação acelerada.